
Você recebe o pedido de criar os indicadores de uma área e abre a planilha. O caminho mais rápido é listar o que dá para contar. O risco é acabar medindo o que é fácil, e não o que a área existe para entregar.
Na metodologia Falconi, a primeira pergunta é outra: para que serve esse sistema?
Tudo é sistema: o corpo, um hotel, uma empresa, cada departamento dela. E todo sistema tem três partes: elementos, interconexões e funções. Elementos e interconexões estão nos meios. As funções estão nos fins, e é nos fins que ficam os indicadores.
Para Vicente Falconi, sócio e fundador da Falconi, um indicador é o medidor do cumprimento das funções de um sistema. Quem mede o meio sabe se a área está ocupada. Quem mede o fim sabe se ela está cumprindo o seu papel.
Parece simples, e é. O difícil é não pular o segundo passo.
O segundo passo depende de uma resposta anterior. André Jeha, consultor e sócio da Falconi, lembra que só dá para atuar bem num sistema depois de entender o propósito dele. Num negócio, a pergunta é direta: o objetivo é ganhar dinheiro no curto prazo ou construir algo perene que gere valor? Desenvolver o negócio para vender ou para durar?
Trazendo de volta para os indicadores: cada resposta muda as funções do sistema e, portanto, o que vale a pena medir.
E o propósito não fala com um ator só. Como lembra André, qualidade total não significa qualidade máxima. Significa qualidade para todos os atores do sistema: acionistas, clientes, funcionários, vizinhos, governo. Um painel que olha só para o lucro de curto prazo mede uma função do sistema e deixa as outras de fora.
A pergunta dos meios e dos fins chega também ao desenvolvimento de pessoas. Presença, horas e certificados são meios. O fim é o que muda no resultado do negócio. Participação mostra alcance. Resultado mostra valor.
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